Um projeto de lei em tramitação na Câmara Municipal de São Paulo propõe autorizar a venda e o consumo de bebidas alcoólicas em estádios e arenas esportivas da capital durante eventos esportivos. O texto prevê que a venda seja feita por bares, lanchonetes e estabelecimentos autorizados dentro das arenas ou em áreas internas destinadas aos torcedores, como camarotes e espaços VIP. A comercialização também poderá ocorrer por ambulantes licenciados. Entre as medidas previstas está a proibição do uso de recipientes de vidro, louça ou qualquer material que possa representar risco à integridade física do público. As bebidas deverão ser vendidas em embalagens plásticas descartáveis ou não contundentes. O projeto também determina que todos os pontos de venda sejam autorizados, licenciados e regularizados junto à Prefeitura. A proposta prevê fiscalização municipal para garantir o cumprimento das normas. Caberá ao Poder Executivo regulamentar detalhes operacionais da comercialização durante os eventos, como horários de início e término da venda, características do evento, estimativa de público e critérios de segurança definidos com os órgãos competentes. Em caso de descumprimento das regras, o texto estabelece sanções administrativas, que podem incluir advertência ou aplicação de multas aos responsáveis. O projeto agora segue para análise nas comissões da Câmara antes de ser votado em plenário. “Comercialização com responsabilidade”Segundo a vereadora Amanda Vettorazzo (União Brasil), que lidera a iniciativa, a proposta busca alinhar São Paulo a práticas já adotadas em outros eventos esportivos e explorar o potencial econômico do setor. “O objetivo é permitir a comercialização com responsabilidade. São Paulo vive de grandes eventos, do turismo e do entretenimento, além de abrigar alguns dos maiores clubes do país. Isso gera impacto financeiro direto, movimenta a economia e é, sem dúvida, uma questão de interesse local”, afirmou a parlamentar. De acordo com a justificativa do projeto, a proposta não representa liberação irrestrita, mas a criação de regras específicas para a atividade, conciliando desenvolvimento econômico, segurança pública e proteção aos consumidores. Especialistas aprovamPara especialistas, a liberação seria benéfica para arenas, clubes e marcas, pois representaria ganhos de até 30% nas receitas com a negociação com empresas e vendas, além de fazer algo que já é feito em outros estados e grandes competições pela Europa e Estados Unidos. “Acredito que os estádios em São Paulo deveriam seguir o exemplo de outros estados brasileiros, onde a comercialização de bebidas alcoólicas ocorre sem problemas. Hoje, as arenas contam com mecanismos de segurança suficientes para identificar torcedores infratores. Do ponto de vista comercial, o retorno da bebida possibilita uma nova linha de receitas para os clubes, capaz de potencializar o tíquete médio e fomentar o ecossistema do futebol”, comenta Léo Rizzo, CEO da Soccer Hospitality, empresa que conta com camarotes em nove arenas brasileiras, entre elas nos os estádios de São Paulo, Palmeiras, Corinthians e Santos, com ingressos que incluem comida e bebida liberada. Hoje, em São Paulo, alguns camarotes contam com autorização especial para fornecer bebidas alcoólicas até 2h antes do apito inicial. “A possível liberação é positiva e pode criar uma fonte de receitas para os clubes. Em alguns casos, é até possível dobrar a receita com o matchday. De forma controlada, temos plenas condições de ter o retorno das bebidas alcoólicas aos estádios paulistas, medida que movimentará as arquibancadas, mas também pode ampliar o tíquete médio dos espaços premium nos estádios, ambientes que comercializam pacotes com comidas e bebidas inclusas no valor do preço do ingresso. Além disso, acredito ainda que haverá uma diminuição da violência e dos transtornos nas entradas aos estádios, já que hoje os torcedores ficam ingerindo bebidas alcoólicas fora do estádio até o momento do apito inicial, com todos querendo entrar nas arenas ao mesmo tempo”, comenta Adalberto Baptista, gestor da Botafogo de Ribeirão Preto, cidade que é reconhecida como a capital do chope e da cerveja artesanal. Da CNN Brasil – Foto: Beto Kodiakhttps://www.cnnbrasil.com.br/esportes/futebol/projeto-de-lei-propoe-liberar-bebidas-alcoolicas-em-estadios-de-sao-paulo/












