Outra vez um eclipse da lua…As pessoas vão se mostrar nas janelasA televisão vai exibir na telaO espetáculo da natureza crua. Discreta, mas com brilho de realeza,A lua será a protagonista da noite claraInteresseiros vão repetir insistentesA explicação natural de tanta beleza. A mesma beleza que era tomada por mitoQuando as mulheres se recolhiam mais cedoOs mais corajosos tremiam de medoQuando o eclipse era um prenúncio maldito. A beleza que encantava os namoradosA magia que instigava os amantesA revelar seus amores distantesE que se desfez quando o solo foi tocado. Hoje, a lua não mais toca os namoradosTampouco as pessoas dela têm medoO eclipse é só o alinhamento dos astrosA magia é, apenas, um mistério revelado. Mas, no universo poético, a lua tem vidaE é testemunha ocular da históriaVê as guerras e atrocidades do homemNão é uma simples massa reduzida. Então, a natureza, sábia e solidária,Fornece as cores da repugnânciaPara que a lua, mesmo no palco distante,Mostre sua face, leal e sectária. A lua, então, ao passo do alinhamento,Prepara sua mensagem de repulsaE, no momento todos aplaudem a musa,Mostra no céu seu real sentimento. Apesar do peso do tempo, meio exangueEla junta força e se reveste de espelhoE reflete todo o horror que há na terraTraduzido na beleza da sua Lua de Sangue *Antônio dos Santos Camargo, também conhecido como Toninho ou Cobra, é natural de Cotia, filho de família tradicional da Cidade. Antônio é nascido e criado em Cotia. É Bacharel em Química e, além de outras atividades, trabalhou durante 36 anos no segmento químico. Aposentou-se há 9 anos e decidiu dedicar-se mais ativamente a uma atividade que sempre lhe deu prazer: Escrever.












