Numa sociedade que exige cada vez mais tempo livre e menos horas de trabalho, as pessoas mais ricas do mundo insistem no oposto: os magnatas afirmam que as pessoas devem trabalhar mais horas por semana para serem mais produtivas e atingir os seus objetivos.
Enquanto há vários países que procuram reduzir a jornada de trabalho – como a vizinha Espanha, para 37,5 horas por semana até ao final do ano -, a tendência nas empresas de tecnologia americanas parece ser a oposta. São necessárias mais horas.
O primeiro a desencadear essa polémica foi Elon Musk, CEO e dono de empresas como Tesla e SpaceX, e desde fevereiro diretor do novo Departamento de Eficiência Governamental (DOGE), órgão responsável por reduzir “significativamente” o quadro de funcionários da administração pública e cortar gastos públicos nos EUA.
Elon Musk afirmou que a equipa de funcionários do DOGE estava a trabalhar 120 horas por semana para fazer os cortes necessários. Considerando que uma semana tem 168 horas, essas pessoas tinham apenas 48 horas semanais de tempo livre, durante as quais tinham de dormir, comer, tomar banho, além de ir e voltar do trabalho, sem mencionar se queriam ter um momento de desconexão ou entretenimento durante a semana.
Agora é o cofundador do Google, Sergey Brin, que provou que Musk estava certo, num documento interno obtido pelo ‘The New York Times’: “60 horas por semana é o ponto ideal para produtividade.” No documento, endereçado aos funcionários do projeto Gemini AI do Google, também observou que recomendava “estar no escritório pelo menos todos os dias úteis”, deixando a possibilidade de regressar também nos fins de semana.
Tudo faz parte dos esforços da empresa para liderar a corrida da IA. “A competição acelerou drasticamente, e a corrida final para a AGI está em marcha”, escreveu. “Acho que temos todos os ingredientes para vencer esta corrida, mas vamos ter de aumentar os nossos esforços.”
E não hesitou em apontar aqueles que se opõem a essa mudança: “Há pessoas que trabalham menos de 60 horas e um pequeno número que trabalha o mínimo para sobreviver”, escreveu. “Este último grupo não é apenas improdutivo, mas também pode ser muito desmoralizante para todos os outros.”












