Após o governador Tarcísio de Freitas decretar que a Reserva Florestal do Morro Grande será transformada em um parque estadual, veio na lembrança dos cotianos antigos, a época que o governo queria construir um aeroporto na região, entre o Morro Grande e Caucaia do Alto, no final dos anos 70.
Após luta de ambientalistas como Waldemar Paioli, jornalista da Gazeta de Cotia, do geógrafo e professor Aziz Ab’Saber (também morador da cidade), Fabio Feldman, entre outros, o projeto foi vetado, modificado e o aeroporto foi para Guarulhos, no bairro de Cumbica e além disso, a Reserva foi tombada pelo Condephaat.
Para algumas pessoas antigas da cidade ouvidas pelo Jornal Cotia Agora, o meio-ambiente foi preservado e o impacto destruidor do aeroporto seria irreversível para toda a região, principalmente colocando em risco o reservatório que abastece milhares de moradores.
Mas, há quem diga que a não construção do aeroporto ou um plano B para que ele fosse em outro lugar de Cotia, acabou atrasando o desenvolvimento da cidade, que, em pleno 2025, sofre com a falta de infraestrutura de vários níveis, principalmente a mobilidade urbana, dando como exemplo, a Raposo Tavares, um pesadelo para quem precisa trafegar diariamente.
O projeto de construção do aeroporto metropolitano de São Paulo visava desafogar o crescente tráfego aéreo de Congonhas e Viracopos (Campinas), na época do governador Paulo Egydio Martins, entre 1975 e 1978.
Histórico
Segundo documentos levantados no arquivo do Jornal Cotia Agora, os estudos e levantamentos executados indicavam que Ibiúna abrigava as condições ideais. Em 15 de setembro de 1975, Paulo Egydio assinou um decreto de utilidade pública para fins de desapropriação de cerca de 60 quilômetros quadrados de áreas de terra em Ibiúna. Contudo, uma série de disputas envolvendo a escolha da região iniciou-se, e só foi amenizada em março de 1977, quando o governador decretou que uma nova área de 60 quilômetros quadrados, situada em Caucaia do Alto, sediaria o aeroporto.
Isso foi o estopim para que protestos iniciassem, já que nossa Reserva seria parcialmente desmatada. Surgiu então a “Comissão de Defesa do Patrimônio da Comunidade”, que reuniu quase 70 entidades preocupadas com o meio ambiente. O governo prometeu reflorestar a região, argumentou os benefícios do novo terminal, levantou fundos para a obra, mas ela não saiu do papel.
O governo federal defendia a opção por Guarulhos, pois o Ministério da Aeronáutica havia doado 10 quilômetros quadrados de terras pertencentes à Base Aérea de São Paulo para a construção do complexo aeroportuário, pois a escolha de qualquer outro lugar acarretaria grandes custos com desapropriações, colocando em risco a viabilidade do projeto. Por outro lado, um grupo defendia que era inviável a construção do aeroporto em Cumbica, devido aos constantes nevoeiros na região que já afetava as operações da Base Aérea.
Em 2008, vereadores de Cotia receberam a informação de que o governo Lula cogitava um novo aeroporto na Grande SP e que, novamente, a região do Morro Grande foi citada.
Por Beto Kodiak











