Por Fernando Confiança
Recentemente, uma notícia vinda da China chocou o mundo e nos obriga a refletir sobre os pilares da nossa civilização. Promotores decidiram não processar um homem acusado de estupro sob a justificativa de que ele tinha a “intenção de formar uma família” com a vítima. Como pai, marido e cidadão, minha reação imediata é de profunda revolta. Mas, como arquiteto e urbanista especializado em gestão, meu dever é analisar o que isso revela sobre o colapso das instituições.
As cidades não são apenas aglomerados de concreto e asfalto; elas são sustentadas por um contrato social. O papel primordial de qualquer gestão pública é garantir a segurança e a dignidade do indivíduo. O que vemos que um sistema entra em falência moral quando as instituições deixam de servir à justiça para servir a metas ideológicas ou demográficas.
Ao ignorar a violência contra a mulher em nome de uma “estabilidade familiar” forçada, o Estado rompe esse contrato. Onde o direito individual é sacrificado pela conveniência administrativa, a liberdade morre. O estupro conjugal não ser tipificado como crime em certas legislações é o sintoma de um sistema que parou de evoluir para proteger pessoas e passou a proteger estruturas vazias.
Aqui em nossa região, o desafio é reforçar redes de apoio e garantir que a gestão pública entregue o básico — o direito de viver sem medo. Na cidade eficiente o transporte flui, o imposto é baixo e a dignidade da mulher é inegociável.
Se a lei não protege o corpo e a alma do cidadão, a “ordem” anunciada é apenas uma fachada para a barbárie. O progresso real de uma sociedade se mede pelo respeito ao ser humano. Sem isso, a cidade esvazia.
*Fernando Confiança é nascido em Cotia, tem especialização em Gestão da Mobilidade Urbana, Planejamento Urbano e Obras, Revitalização de Áreas Degradadas e possui experiência em Gestão Pública. No instagram @soufernandoconfiança










