Por Fernando Confiança Fernando Confiança é Arquiteto e Urbanista com especialização em Gestão da Mobilidade Urbana. Analisa o impacto das políticas públicas e da geopolítica na infraestrutura social e urbana. A pressão que o povo venezuelano sofre há décadas culminou, na histórica madrugada de 3 de janeiro de 2026, na extração de Nicolás Maduro. A ação, liderada pelos EUA, baseia-se oficialmente no combate ao narcotráfico e na defesa da segurança continental, apontando o governo venezuelano como um pilar do crime organizado. Embora existam especulações sobre interesses geopolíticos, como o petróleo, o fato é que 2026 inaugura uma nova perspectiva para a América Latina. Se confirmada a colaboração premiada de figuras chaves do regime, poderemos presenciar o surgimento de uma verdadeira “Lava Jato Internacional”. Os tentáculos do crime organizado não respeitam fronteiras. Com o rastreamento financeiro moderno, torna-se possível bloquear recursos de empresas e governos envolvidos em cadeias ilícitas. Em um cenário hipotético, se recursos públicos financiaram ONGs ou projetos que, em algum momento, transacionaram com o narcotráfico, a responsabilidade poderá ser cobrada. A alegação de “desconhecimento” perde força diante de provas documentais de transações bancárias. Essa operação tem o potencial de expor a saga daqueles que transitaram do presídio para o poder, desvendando redes de influência que podem, sim, respingar no Brasil. A democracia pode não ser um sistema perfeito, mas jamais deve ser suplantada por uma ditadura. Para quem defende a liberdade, este é o divisor de águas: não há espaço para tiranos. Contudo, assim como na arquitetura, a reconstrução social da Venezuela demandará tempo, planejamento e esforço para reparar os danos causados por quem tomou o poder para benefício próprio. Resta agora a pergunta que fica no ar: as ondas deste terremoto político em Caracas chegarão a Brasília?










