Por: Fernando Confiança – Arquiteto e Urbanista – @soufernandoconfianca Você já sentiu aquela sensação de ter o dinheiro para reformar a casa, mas a obra não anda porque o pedreiro não entrega a lista de materiais ou o contrato trava na burocracia? É exatamente esse o cenário que o primeiro bimestre de 2026 apresenta para a nossa Cotia. Como Arquiteto e Urbanista, acompanho de perto como o planejamento se transforma em realidade. Olhando o Portal da Transparência, os números de janeiro e fevereiro revelam uma cidade com fôlego financeiro, mas que precisa acelerar a execução. O Cofre de Cotia Neste início de ano, a Prefeitura arrecadou cerca de R$ 312,5 milhões. Desse montante, a maior parte veio do Tesouro Geral e de verbas carimbadas para a Educação (FUNDEB). É um começo robusto: após pagar R$ 118 milhões em despesas efetivas, a cidade fechou fevereiro com um saldo positivo de mais de R$ 194 milhões. Para onde vai o seu imposto? Três áreas concentram os maiores investimentos e contratos: Educação: O destaque vai para a alimentação escolar e parcerias para o ensino infantil.Saúde: O custeio é alto, com grandes contratos para gestão hospitalar e oxigênio medicinal.Segurança: O foco está na tecnologia, com investimentos pesados em monitoramento eletrônico e vigilância. O Alerta: A “Diferença do Compromisso” Aqui entra o ponto que exige nossa atenção como sociedade civil. Existe uma diferença de R$ 571 milhões entre o que a prefeitura “empenhou” (reservou para pagar contratos) e o que foi efetivamente “pago”. Na prática, isso significa que muitos serviços ou obras estão contratados, mas a “liquidação” — que é a conferência de que o serviço foi realmente entregue — está lenta, especialmente na Saúde e na Fazenda. Dinheiro parado no orçamento sem se transformar em benefício direto na rua é um gargalo que precisamos monitorar. Além disso, a cidade carrega contas pesadas do passado: só nestes dois meses, milhões foram destinados para pagar dívidas com bancos e precatórios judiciais. Cotia tem recursos, mas o desafio de 2026 será converter esse saldo bancário em eficiência administrativa. Gestão de cidade não se faz apenas com arrecadação, mas com a agilidade de fazer o recurso chegar, de fato, ao cidadão.












