Entenda os sinais de alerta, os mitos mais comuns e como lidar com a alimentação infantil sem traumas
Por Juliana Camargo – Nutricionista (CRN-3 69408)
Você já se viu insistindo para seu filho comer “só mais uma colherada”? Já preparou o prato favorito e, ainda assim, ouviu um categórico “não quero”? A seletividade alimentar é um comportamento comum na infância, mas até que ponto ela é normal? Quando é hora de buscar ajuda? E como lidar com isso sem transformar a comida em um campo de batalha?
Seletividade alimentar é quando a criança recusa alimentos com base em cor, textura, cheiro ou aparência. Pode ser uma fase temporária muito comum entre 2 e 6 anos, mas também pode indicar um quadro mais persistente que merece atenção.
Sinais de alerta: quando a seletividade deixa de ser “só uma fase”?
Nem toda criança “difícil pra comer” tem um transtorno alimentar. Mas é importante ficar de olho em alguns sinais:
-Recusa frequente de grupos alimentares inteiros (ex: legumes ou proteínas)
-Número muito limitado de alimentos aceitos (às vezes menos de 10)
-Reações extremas como náusea, vômito ou crises de choro diante de novos alimentos
-Atraso no ganho de peso ou crescimento
-Prejuízos sociais (por exemplo, dificuldade de comer fora de casa ou na escola)
Nesses casos, vale buscar apoio de um nutricionista e, em alguns quadros, também de fonoaudiólogos e psicólogos especializados.
Mitos comuns sobre seletividade alimentar
-“É birra!” ? Nem sempre. Muitas crianças sentem real desconforto com certos alimentos, especialmente pela textura ou sensibilidade sensorial.
-“Vai passar sozinho.” ? Pode passar, sim, mas ignorar por muito tempo pode reforçar o comportamento restritivo.
-“Se tiver fome, vai comer.” ? Esse tipo de frase pode gerar insegurança alimentar e medo. A criança não deve ser exposta à fome como punição.
Como ajudar sem gerar traumas
-Apresente os alimentos de forma lúdica e sem pressão. Um brócolis pode ser uma “árvore pequena” no prato, por exemplo.
-Inclua a criança no preparo das refeições. Ela pode lavar, montar, escolher. Isso gera curiosidade e pertencimento.
-Ofereça, mas não obrigue. O simples contato visual ou tocar o alimento já é uma conquista para algumas crianças.
-Seja exemplo. Ver os pais comendo com prazer é mais poderoso do que qualquer discurso.
-Evite recompensas e punições ligadas à comida. Frases como “só ganha sobremesa se comer tudo” podem criar uma relação distorcida com a alimentação.
Nem todo comportamento seletivo é preocupante, mas quando começa a trazer prejuízos, vale olhar com mais carinho. A nutrição infantil precisa ser leve, possível e respeitosa, porque é isso que constrói bons hábitos que duram além da infância.
Beijos da nutri.
*Juliana Camargo é Nutricionista Clínica (CRN-3 69408) e escreve quinzenalmente no Jornal Cotia Agora
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Contato: 9-6755-1474









