The Night Siren, do mestre Steve Hackett, é aquele tipo de disco que não pede licença: ele entra, acende a luz, abre as janelas e te joga num mundo gigante, cheio de culturas, paisagens e sons que parecem ecoar de séculos diferentes ao mesmo tempo.
Hackett faz aqui o que ele sempre fez de melhor: pega a herança do rock progressivo clássico — aquele jeito artesanal, feito com paciência de ourives — e mistura com uma visão moderna, global, quase cinematográfica. O resultado é um álbum que parece viagem espiritual, expedição arqueológica e sonho lúcido tudo junto.
É um disco para ouvir com calma, porque cada faixa tem um clima próprio, um sabor, uma cor. E quando você menos percebe, já está rodando o planeta dentro da própria cabeça.
Faixa a faixa – a experiência completa:
Behind the Smoke – Logo de cara, Hackett dá um tapa de realidade. Guitarras densas, clima meio oriental, aquele ar de tempestade anunciada. A faixa fala de migração, dor e renascimento, e você sente isso nos timbres. É pesada, é bela, é grandiosa. Já te puxa pelo colarinho.
Martian Sea – Aqui o clima muda completamente. A música tem aquela vibração psicodélica anos 60, mas com um toque exótico — como se Beatles encontrassem músicos de rua em Marrakesh. É leve, colorida, brincalhona. Uma viagem rápida e divertida.
Fifty Miles from the North Pole – Atmosfera gelada, misteriosa. A guitarra parece cortar o ar como vento polar. É uma faixa contemplativa, quase meditativa, daquelas que te colocam no modo “expedição no silêncio da neve”.
El Niño – Aqui entra o prog de verdade: riffs tensos, bateria agitadíssima, mudanças de clima o tempo todo. Parece trilha de filme de desastre natural — e funciona. Hackett mostra que ainda tem o mesmo fogo criativo dos anos 70, sem frescura.
Other Side of the Wall – Uma pausa emocional. É mais suave, mais pessoal, com clima de reflexão silenciosa. Parece aquela caminhada solitária no fim da tarde, quando tudo acalma e você pensa no que realmente importa.
Anything But Love – Aqui o disco aquece de novo. Um clima meio latino, meio jazz, com guitarra acústica brilhando. É romântica, mas sem ser açucarada. Tem charme, tem swing, tem vida.
Inca Terra – Uma das faixas mais épicas. Hackett mistura música andina, orquestra e progressivo clássico. É um hino montanhoso, cheio de paisagens imaginárias. Dá aquela sensação de estar olhando para cordilheiras infinitas.
In Another Life – Um som mais misterioso, lento, quase místico. Hackett usa a guitarra como se fosse voz ancestral chamando de longe. É bonita e cheia de alma.
In the Skeleton Gallery – Aqui ele brinca com tensão, dissonâncias e pequenos sustos sonoros. Parece um passeio por um museu estranho, com sombras, ecos, portas rangendo. É teatral e deliciosamente esquisita.
West to East – Outra faixa com pé forte na música do Oriente Médio. Melodias amplas, clima espiritual, mensagem sobre união entre povos. Tem aquele toque de esperança que acende uma luz interna.
The Gift – Fecha o disco como quem apaga as luzes com delicadeza. É breve, introspectiva, quase uma prece instrumental. Um respiro final, simples e lindo.
O que faz The Night Siren especial não é apenas a técnica absurda de Hackett, mas a maneira como ele constrói pontes. O disco é tudo sobre união — povos, culturas, histórias — e a música reflete isso com autenticidade. Cada faixa é um país, um clima, uma emoção.
É o tipo de álbum que você escuta e sente que saiu um pouco maior, com mais mundo dentro de você.
E isso, convenhamos, é o que os grandes artistas sempre fizeram — ontem, hoje e sempre.
A melhor música do disco é “Behind the Smoke”. Por quê? Porque ela é o resumo perfeito do que The Night Siren quer dizer.
É pesada, tem aquele clima meio oriental, fala de migração e conflito, tem força, tem drama, tem guitarra de guerra — é Hackett mostrando que ainda sabe incendiar tudo quando quer.
É a faixa que mais impressiona na primeira ouvida e a que mais cresce depois, é o cartão de visitas do álbum.
Hackett despeja ali tudo que The Night Siren representa: peso, drama, influência oriental, atmosfera cinematográfica, letras fortes e aquela guitarra que fala mais do que muita gente.
Ela tem cara de abertura de épico, aquela faixa que você escuta e já pensa: “ok, o velho ainda manda mais do que muito moleque”.
Deve fazer parte da setlist do Programa Garimpo da Rádio Meteleco – https://meteleco.net – semanalmente exibido às 16hs de segundas as sextas-feiras.
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Ouvir The Night Siren é como fazer uma viagem de mochila pelo mundo… sem levantar da cadeira.
É um álbum global, humanista, progressivo no sentido mais puro: ele te empurra pra frente, te expande.
A sensação geral?
Você se sente entrando num filme cheio de paisagens — desertos, montanhas, portos, templos antigos — tudo costurado pela guitarra de Hackett, que funciona como bússola.
É um disco:
- Cheio de texturas (cordas, sopros, percussões do mundo todo)
- Cheio de emoção (tem faixas de guerra, paz, luto e esperança)
- Cheio de mensagem (união entre povos, fronteiras que se desfazem)
- Cheio de cores (cada faixa é praticamente uma cultura diferente)
E ao mesmo tempo, tudo tem a cara dele:
aquele toque artesanal, de alguém que ainda faz música como quem talha madeira.
O impacto final?
- Você termina o disco com essa sensação de que viajou o planeta e voltou com o peito mais aberto.
- É prog com alma.
- É tradição com visão.
- É o velho mestre mostrando como se cria algo novo sem trair as raízes.
Uma das canções do disco – clique no link para ouvir – “Inca Terra”
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